Estudo Livro Tiago cap. 03


A Língua – Bênção ou Maldição (13 (Cap. 3:1-12) – Ministrado em 10/06/11

1_Meus irmãos, não sejais muitos de vós mestres, sabendo que receberemos um juízo mais severo.  2_Pois todos tropeçamos em muitas coisas. Se alguém não tropeça em palavra, esse é homem perfeito, e capaz de refrear também todo o corpo. 3_Ora, se pomos freios na boca dos cavalos, para que nos obedeçam, então conseguimos dirigir todo o seu corpo. 4_Vede também os navios que, embora tão grandes e levados por impetuosos ventos, com um pequenino leme se voltam para onde quer o impulso do timoneiro. 5_Assim também a língua é um pequeno membro, e se gaba de grandes coisas. Vede quão grande bosque um tão pequeno fogo incendeia. 6_A língua também é um fogo; sim, a língua, qual mundo de iniqüidade, colocada entre os nossos membros, contamina todo o corpo, e inflama o curso da natureza, sendo por sua vez inflamada pelo inferno. 7_Pois toda espécie tanto de feras, como de aves, tanto de répteis como de animais do mar, se doma, e tem sido domada pelo gênero humano; 8 mas a língua, nenhum homem a pode domar. É um mal irrefreável; está cheia de peçonha mortal. 9_Com ela bendizemos ao Senhor e Pai, e com ela amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus. 10_Da mesma boca procede bênção e maldição. Não convém, meus irmãos, que se faça assim. 11 Porventura a fonte deita da mesma abertura água doce e água amargosa? 12_Meus irmãos, pode acaso uma figueira produzir azeitonas, ou uma videira figos? Nem tampouco pode uma fonte de água salgada dar água doce.

No caps. 1 e 2, Tiago começa nos chamando de “meus irmãos”, assim também começa no cap. 3. Cada vez que muda o rumo do assunto, ele tende a tratar seu leitor com carinho. O tema a ser estudado tem alta relevância no meio cristão. A todo o momento surgem conversas paralelas, invencionices, palavras levianas, mal entendidas em nosso meio. É triste que a igreja que deveria se mostrar ao mundo como um exemplo de relações interpessoais seja uma comunidade, muitas vezes, com relações internas tão precárias que chega a assustar. Faz-se necessário que sejamos honestos uns com os outros e com Deus, ao nos relacionarmos.

As palavras que proferimos podem ser bênção ou maldição, palavras que edificam ou palavras que arrasam. É contra esta dupla possibilidade que o escritor sagrado nos adverte. Ele começa com um conselho: “Não sejais muitos de vós mestres, sabendo que receberemos um juízo mais severo” .  Ora, ser mestre é um dom do próprio Cristo: “E ele deu uns como apóstolos, e outros como profetas, e outros como evangelistas, e outros como pastores e mestres,” (Ef 4:11). Lemos também em (ICo 12:28), “E a uns pôs Deus na igreja, primeiramente apóstolos, em segundo lugar profetas, em terceiro mestres, depois operadores de milagres, depois dons de curar, socorros, governos, variedades de línguas.” O “mestre” foi estabelecido pelo próprio Pai e é superado apenas por “apóstolos” e “profetas” e precede dons que muitos hoje supervalorizam como efetuar milagres, curas e línguas. Em (Rm 12:7), aquele que ensina (o “mestre”) recebeu um conselho: “... se é ensinar, haja dedicação ao ensino;”. Por que, então, o conselho na negativa – “não sejais muitos de vós mestres”?

A primeira resposta surge no vs. 1: “... receberemos um juízo mais severo”.  Inicialmente, entra em discussão o ônus da liderança.

Quanto pesa ser líder!              Por que almejamos liderar?                  Desejo de ser visto e acatado?
Um anseio sincero de pesquisar e repartir as verdades de Deus?

É lamentável constatar a existência de membros de igrejas que se aborrecem por não possuírem um cargo ou por não serem eleitos para o desempenho de funções de liderança na comunidade cristã a que pertence. O cargo é uma necessidade para conferir dignidade eclesiástica a quem o exerce?
O fardo do líder é pesado. Além das responsabilidades inerentes ao cargo ou à função que desempenha, há também o fato de que Deus requererá mais dele: “... receberemos um juízo mais severo”.   O mestre, nas comunidades cristãs primitivas, era aquele que ensinava a Palavra ao povo de Deus. Corresponderia hoje ao pregador expositivo ou ao professo da E.B.D. Parece que nos dias de Tiago alguns ambicionavam a função sem ter condições qualquer condições ou senso de responsabilidade, tão somente movidos pela vaidade ou desejo de promoção, sem amor ao povo que deviam ensinar e sem reverência à verdade que deviam repartir/ensinar. Aquele que ensina esta usando da palavra para comunicar verdades de Deus. Deve ter cautela dupla: primeiro porque é mestre, e segundo porque esta usando a palavra que pode levar à vida ou à morte.

A segunda resposta esta no vs. 2: “Pois todos tropeçamos em muitas coisas.”  Todos tropeçaram e o mestre não é exceção. Por estar à frente e com missão de tamanha relevância, talvez seja ela uma das pessoas mais visadas.  “Todas tropeçam”, diz Tiago. Para falar, basta que se abra a boca e se articule sons concatenados, formando palavras. Podemos nos vingar, rebaixando alguém cuja posição nos incomoda, e espalhar maledicências sobre a vida alheia. E tudo isso, justificando nossas palavras, racionalizando tudo o que fazemos. É difícil não tropeçar no que proferimos. A advertência de Jesus deve sempre ressoar em nossos corações: “Porque pelas tuas palavras serás justificado, e pelas tuas palavras serás condenado” (Mt 12;37).

Consideradas as razões do perigo de ser mestre e de se valer constantemente da palavra, Tiago passa a apresentar a necessidade de controle da língua. Para tal vai se valer de duas comparações que sabiamente emprega. A primeira: encontrada no vs. 3, trata dos freios que se põem à boca dos cavalos. O cavalo é um animal de grande força física, mas é dominado por um instrumento pequeno, a rédea. A segunda esta no vs. 4 e mostra como um grande navio, mesmo batido por fortes ventos, obedece ao leme manobrado pelo timoneiro. As duas ilustrações apresentam um ponto comum: o pequeno controla o grande, a parte controla o todo. Dominar a língua (o pequeno e a parte) é controlar a vida (o grande e o todo). O que acontece a um cavalo sem as rédeas? Torna-se um destruidor. O que sucede a um barco sem leme? É destruído. O controle da língua, da mesma forma, evita uma vida destrutiva e auto destruidora.

Tiago ilustra o poder da palavra com quatro figuras: Fogo (v. 6), mal irrefreável (v. 8), fonte (v. 11 e 12), e árvores (v. 12).
A língua é o fogo destruidor que brota de pequena fagulha. Uma pequena palavra pode suscitar longa contenda. Tiago reflete sobre isso. O homem pode domar tudo. “Pois toda espécie tanto de feras, como de aves, tanto de répteis como de animais do mar, se doma, e tem sido domada pelo gênero humano;”  (v. 7). Não há animais que o homem não consiga domar. Ele encanta serpentes, adestra cães para truque, domestica o felino selvagem, como vemos nos circos, e até treina a vida aquática, como no caso dos golfinhos. Outros animais, como o cavalo e o boi, são por ele usados para o trabalho doméstico, em sítios e fazendas. Se vivesse hoje Tiago poderia estender seus argumentos: O homem domina sobre os animais, sobre a natureza e começa a estender seu domínio para fora da terra, na direção do espaço. Porem, a língua continua indomada: “... mas a língua, nenhum homem a pode domar” (v. 8).  

Algumas vezes não nos damos conta dos grandes estragos que os “inocentes” comentários ou “colocações sem muita importância” que fazemos podem alcançar com resultados. “Há três coisas que não regressam: A flecha lançada, a palavra falada e a oportunidade perdida. Uma vez pronunciada a palavra, não há maneira de fazê-la regressar. Nada é tão difícil de sufocar como um rumor; nada há tão difícil de cicatrizar como os efeitos de uma história maligna e ociosa. Lembre-se o homem que, uma vez dita a palavra, esta foge do seu controle. Portanto, pense bem antes de falar porque, mesmo que não possa fazer a palavra voltar, terá que responder pela palavra pronunciada."

Aprendemos também que não pode haver duplicidade na palavra do cristão. Não faz parte do estilo de vida do seguidor de Jesus Cristo. São bem claros os vs. 11 e 12 “Porventura a fonte deita da mesma abertura água doce e água amargosa? Meus irmãos, pode acaso uma figueira produzir azeitonas, ou uma videira figos? Nem tampouco pode uma fonte de água salgada dar água doce.”   

         São três os exemplos que Tiago emprega para ilustrar a verdade que deseja transmitir. Era este o método utilizado pelos rabinos para ilustrar seu ensino: três ilustrações para cada verdade. É oportuno recordar que Tiago esta escrevendo para cristãos provenientes do judaísmo e, por isso mesmo acostumado com a forma de ensino dos rabinos. Não é de estranhar que sua didática seja rabínica.

         A primeira ilustração é a fonte que jorra água. (v. 11): “Porventura a fonte deita da mesma abertura água doce e água amargosa?”.  Uma fonte não pode produzir dois tipos de água, doce e amarga. Da mesma maneira, a língua de um cristão não pode produzir dois tipos de palavras, a de bênção e a de maldição.
         Observa-se que Tiago não diz que a fonte deve produzir água doce (que pelo contexto nos parece ser a boa palavra). Pode produzir água amarga (a má palavra). O que Tiago diz é que a fonte produz apenas um tipo de água. Ou doce ou amarga. Da mesma forma como não se devem esperar palavras inconvenientes na boca de um cristão, não é de admirar que na boca de um homem que não seja temente a Deus haja palavras que não seja edificante. Cada fonte produz um tipo de água. Um é o falar do cristão. Outro é o falar do não-cristão.

         A segunda ilustração empregada por Tiago é a da árvore que produz frutos segundo a sua espécie. (v. 12): “pode acaso uma figueira produzir azeitonas, ou uma videira figos? Nem tampouco pode uma fonte de água salgada dar água doce.”  A figueira produz figos e a videira produz uvas. A declaração nos faz refletir de uma forma profunda. Cada árvore produz furtos segundo a sua espécie, de acordo com a sua natureza. Novamente somos chamados a refletir que não deve haver duplicidade de frutos em nosso viver. Produza, então, o cristão o fruto que dele se espera.

         A terceira ilustração se assemelha à primeira, mas apresenta uma variação: “Nem tampouco pode uma fonte de água salgada dar água doce.” (v. 12). Uma fonte que só produza água não é errada em si mesma. Pode ser uma fonte medicinal, por exemplo, produzindo águas sulfurosas. Esta ilustração difere da primeira em um ponto: Naquela, a fonte só jorra uma qualidade de água, potável ou não potável. Não importa qual seja, mas uma só. É genérica, porque trata de ambas as possibilidades. Tanto faz produzir água doce ou salgada, desde que só produza uma. Esta aqui é especifica: A fonte salgada não produz água doce. A maior necessidade daquela região era água portável, boa para beber. A fonte salgada (usemo-la aqui para tipificar o falar do homem não regenerado) não pode produzir boa palavra. Quem deve produzir esta é o servo de Jesus. É ele quem tem a palavra que alcança/liberta o mundo. Poderíamos então parafrasear Jesus, quando exortou os discípulos a não omitirem o brilho da sua luz: “Se a fonte de água portável que há em ti produzir água não potável, que grande desastre será!”.

         É de nós, portanto, que o mundo pode ouvir boas palavras, que alentam, que consolam, que vivificam. Se não tivermos uma palavra de esperança, uma palavra honesta e decente para este mundo, de quem ele a ouvirá? 

         Voltamos, então, ao (v. 10): “... Não convém, meus irmãos, que se faça assim.”  O que não convém? Não é conveniente que tenhamos palavras para bendizer ao Senhor e amaldiçoar aos homens, que são imagem e semelhança de Deus (v. 9). Quem adora a Deus não pode amaldiçoar o seu próximo. Voltamos, assim, à tese que domina o livro de Tiago: Adoração e conduta devem caminhar juntas. Meu procedimento para com o próximo será a projeção fiel do meu verdadeiro relacionamento com o Senhor, que as palavras fingidas não conseguirão mascarar de forma alguma.

         Esclareça-se que Tiago não prega o silencio, o que ele deseja não é que os cristãos se refugiem, não deixem da falar, mas sim que controlem sua língua.

         “Os rabinos judeus usavam esta figura: ‘A vida e a morte estão nas mãos da língua.’ Por acaso a língua  tem mãos? Não! Mas assim como a mão mata, assim também a língua. A mão mata de perto, porém, a língua é como uma flecha que mata à quarenta ou a cinqüenta passos, porém, da língua se diz no (Sl 73:9) que `’Põe a sua boca conta os céus, e a sua língua percorre a terra’. Passeia por toda a terra e alcança os céus. Este é o perigo da língua. Um homem atacado pode defender-se do golpe porque o atacante esta na sua presença. Mas, pode-se pronunciar uma palavra maliciosa ou repetir uma calunia sobre outro que nem sequer se conhece e que se encontra a milhares de quilômetros de distancia e, mesmo assim, causar-lhe extremo dano. O extraordinário alcance que a língua tem é o seu maior perigo.

         Devemos ter muito cuidado com as palavras que emitimos sobre a vida alheia. Podemos destruir uma vida por uma palavra leviana ou pouco responsável. Que TENHAMOS UMA VIDA DE LOUVOR AO SENHOR E AO NOSSO IRMÃO. Que saia de nossa boca, palavra que vivifica.     










ESTUDO DO LIVRO DE TIAGO – Cap. 3

Os Dois Tipos de Sabedoria (14) (Cap. 3:13-18) – Ministrado em 12/08/11

13_Quem dentre vós é sábio e entendido? Mostre pelo seu bom procedimento as suas obras em mansidão de sabedoria. 14_Mas, se tendes amargo ciúme e sentimento faccioso em vosso coração, não vos glorieis, nem mintais contra a verdade. 15_Essa não é a sabedoria que vem do alto, mas é terrena, animal e diabólica. 16_Porque onde há ciúme e sentimento faccioso, aí há confusão e toda obra má. 17_Mas a sabedoria que vem do alto é, primeiramente, pura, depois pacífica, moderada, tratável, cheia de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade, e sem hipocrisia. 18_ Ora, o fruto da justiça semeia-se em paz para aqueles que promovem a paz.

Vamos falar agora de sabedoria! Há três livros VT que denominados “livros de sabedoria”: Jó, Pv e Ec.
            A sabedoria (hokhma) é sempre prática, sempre vivencial, e nunca especulativa. Sua finalidade era capacitar o homem para viver corretamente. Havia em Israel uma classe (sacerdotes) que se dedicavam à sabedoria e sua ministração ao povo.

            A Sabedoria vivencial se focalizava nas pessoas, e em como aplicar à vida as verdades de Deus (Que é a fonte de sabedoria). Jó 12:13 “Com Deus esta a sabedoria e a força”. Aqueles que assim viviam conseguiram bons frutos e vida abençoada.

            A busca da sabedoria era natural para o hebreu. Ser sábio era uma aspiração latente na alma hebraica. v.13_Quem dentre vós é sábio e entendido?  Tiago pergunta! Os membros de sua igreja eram pessoas que almejavam a sabedoria. Teriam eles alcançado? Já eram sábios? “Mostre”, diz ele.

            Como mostrar? Não por discursos, pois a sabedoria não é o saber aprofundado, um conhecimento sem igual, uma instrução, uma cultura vasta e variada. Mas, É VIDA! v. 13bMostre pelo seu bom procedimento as suas obras ...”   Se as obras são positivas, muito bem. Se não são a sabedoria é terrena, animal e diabólica.
           
            Tiago mostra que há dois tipos de conduta possível a um cristão. Uma inspirada por Deus: v. 17 “a sabedoria que vem do alto “.  A outra “é terrena” v. 15. O contraste é bem claro: A sabedoria que vem do alto desce de Deus. Esta num plano superior ao homem. A outra sabedoria é “terrena”, vem da terra, esta no mesmo plano do homem. Esta era a diferença entre Jesus e seus opositores. Jo 8:23 Vós sois de baixo, eu sou de cima; vós sois deste mundo, eu não sou deste mundo”. Jesus estava num plano superior ao de seus opositores. Um seguidor de Jesus deve ter uma sabedoria em plano superior, também, á sabedoria do mundo.

            A sabedoria do mundo é “animal”, ou seja, e um instinto natural, sendo assim o cristão não pode agir na base de “fazer o que estiver no coração”. Muitas pessoas julgam que uma boa medida quando estão em dificuldades: “o que estiver no coração, isso farei”.

            Esta atitude é ingênua, porque presume que todos os nossos sentimentos são bons. E não é assim! O simples fato de algo estar em nosso coração não indica que é indicativo de validade. Jr 17:9 “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o poderá conhecer?”. Os sentimentos, também, estão muito próximos dos instintos. Nem um nem outro poder ser padrão para conduta. Devem ser medidos pela Palavra de Deus. 
           
            Os frutos da sabedoria terrena são exibidos no vs. 14. “Amargo ciúme” ou “inveja amargurada” é o primeiro. Quando este fruto nocivo é encontrado em nossas igrejas?
            à A inveja do progresso de um irmão ou seu crescimento dentro da comunidade.
            à A inveja da nova liderança que surge no meio da igreja.
            Em ISm 18:6-9, podemos ver o Rei Saul com ciúme e inveja de Davi. A partir de então, Saul passou a ver Davi com outros olhos.  A historia não cessa aqui. A inveja nutrida por Saul continuou e seu termino foi com conseqüências desastrosas. Vs. 10. Do ciúme a raiva, pouco demorou. Da raiva à tentativa de assassinato. E com tudo isso, o temor: Vs. 12, a partir daqui, a personalidade de Saul esta em acentuada desintegração. De desatino em desatino, o primeiro rei irá destruir sua própria vida.

            Vamos aprender com as experiências relatadas na Palavra de Deus, se formos sensatos. Cultivar inveja e ciúme é desintegrar a própria vida. A maior vitima da inveja é o invejoso. Ele se desestrutura emocionalmente e se incapacita diante de Deus.

            Ouro fruto da sabedoria terrena é “sentimento faccioso”. O espírito de facção no seio da comunidade cristã é de inspiração diabólica. Com facilidade surgem grupos e partidos em nossas igrejas. Muitas vezes, uma comunidade local se fraciona por coisas pequenas, por uma primeira impressão, por raiva ou uma palavra mal colocada por um irmão. É muito triste!

            Deus sabia que a vaidade humana seria um grande obstáculo para o avanço de sua obra neste mundo. Os escritores bíblicos enfrentaram problemas de partidarismo dentro das igrejas primitivas, combateram-nos e nos deixaram princípios espirituais que não podem ser ignorados.

         Paulo censurou as facções na igreja de Corinto: ICo 1:10 “Rogo-vos, irmãos, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que sejais concordes no falar, e que não haja dissensões entre vós; antes sejais unidos no mesmo pensamento e no mesmo parecer.Em Ro 12:16 ele exorta aos cristãos. sede unânimes entre vós; não ambicioneis coisas altivas mas acomodai-vos às humildes; não sejais sábios aos vossos olhos;”. Na carta aos Filipenses ele faz o mesmo, Fl 2:1-3Portanto, se há alguma exortação em Cristo, se alguma consolação de amor, se alguma comunhão do Espírito, se alguns entranháveis afetos e compaixões, completai o meu gozo, para que tenhais o mesmo modo de pensar, tendo o mesmo amor, o mesmo ânimo, pensando a mesma coisa; nada façais por contenda ou por vanglória, mas com humildade cada um considere os outros superiores a si mesmo;”.

         É claro que sendo a igreja uma comunidade tão heterogênea, as diferenças de opinião serão grandes. Podemos encontrar pessoa com formação educacional superior, outras sem essa formação, jovens, idosos, pessoas de outras nações com cultura distinta, etc. como exigir uma só opinião? 

         Nossas diferenças persistem e nos levarão a posturas diferentes. Mas, uma das glórias da igreja de Cristo, inclusive, é exatamente esta, a de reunir as mais diversas pessoas em um só corpo. No Senhor Jesus a igreja dever ser unânime. A unidade na diversidade foi a característica dos primeiros cristãos. A igreja de Jerusalém se caracterizava por este sentimento.
At. 1:14 Todos estes perseveravam unanimemente em oração,”. 
At. 2:1 “Ao cumprir-se o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar”.
At 4:32 Da multidão dos que criam, era um só o coração e uma só a alma, e ninguém dizia que coisa alguma das que possuía era sua própria, mas todas as coisas lhes eram comuns”.
            Havia um profundo senso de unanimidade dentro da igreja. Em Atos 5, Ananias e Safira quebraram a unanimidade. Mentiram, desejando notoriedade, buscando aparecer mais que os outros. A punição foi a morte. Deus cobrou a quebra da unanimidade.

            A sabedoria que produz frutos de dissensão é “terrena, animal e diabólica”. E conclui Tiago. Vs. 16 “Porque onde há ciúme e sentimento faccioso, aí há confusão e toda obra má”.

17_Mas a sabedoria que vem do alto é, primeiramente, pura, depois pacífica, moderada, tratável, cheia de misericórdia e de  bons frutos, sem parcialidade, e sem hipocrisia.

                        A sabedoria do alto é “primeiramente, pura”. A purificação cerimonial era uma exigência do judaísmo para agradar a Deus. Não se podia aproximar de Deus de qualquer forma. O portador da sabedoria do alto não está contaminado pelas imundícias que desagradam a Deus.
            “Depois pacifica”. Onde o Senhor está, há paz. A sabedoria diabólica produz “confusão e toda má obra”. A ordem, a segurança a isenção de ódios. Uma pessoa dominada pela sabedoria de Deus projetará isto no seu relacionamento com as outras. 
            “Moderada”. O termo sugere equilíbrio, gentileza, franqueza, sinceridade. É uma maneira autentica no tratar com o próximo. Expressar moderação é reconhecer que na lei formal pode haver brechas.
            O homem moderado sabe que há ocasiões quando uma coisa pode estar absolutamente justificada e, no entanto, ser absolutamente errada do ponto de vista moral. Este homem sabe discernir quando ultrapassar a lei, e sabe distinguir qual é superior à da própria lei. Conhece o momento em que apegar-se ferrenhamente a seus direitos seria inquestionavelmente legal, mas, também indiscutivelmente pouco cristão. Ser moderado, portanto, é ir além da lei na busca do melhor. Vejamos o exemplo de um homem moderado José, pai de Jesus. (Mt 1:19) E como José, seu esposo, era justo, e não a queria infamar, intentou deixá-la secretamente.”
            Moderada é seguida por “Tratável”. São termos diferentes, embora caminhem na mesma direção. Há pessoas que não são tratáveis. Confundem franqueza com falta de educação. São agressivas, maldosas, rancorosas. A defesa de sua fé e a rigidez de suas convicções, algumas vezes torna-se um desserviço à obra de Deus. Ao invés de defender estas atitudes não tratáveis desmoraliza o evangelho.
            A violência verbal e os ataques pouco polidos que se faz para defender posições assumidas por cristãos com sabedoria terrena tornam-se motivo de escândalo e vergonha. Cristãos envaidecidos, desobedientes, covardes, coléricos, que discordam com a opinião de seu irmão ou líder, constituem-se um contra-senso. É o amor a sua verdade ou o ego ferido que prevalece! A sabedoria do alto não é truculenta. Não leva a agir de forma intratável.
            “Cheia de misericórdia” é outra característica apresentada por Tiago. Ele quer dizer compaixão, piedade para com os desgraçados. É um profundo interesse pelos que sofrem. Uma pessoa que tenha a sabedoria do alto terá real interesse pelas pessoas, há de se condoer dos miseráveis. A insensibilidade para com o sofrimento alheio não é própria de quem provou na sua vida a misericórdia de Deus.
            “bons frutos” é exatamente o que produz a misericórdia. Estes frutos devem ser apresentados. É a fé pratica. Tiago pode frutos que a autentiquem. Os frutos são as evidencias da religião.
            A sabedoria do alto é sem “parcialidade”. Onde ela esta presente não há preferências por pessoas em detrimento de outras. Qualquer tipo de preferência não é, por certo, de inspiração divina.
            Quando na igreja há atitude de favoritismo, esta havendo pecado. Formação acadêmica, bens materiais, maior contribuição e outros quesitos nunca devem ser motivos para alguém ser privilegiado na igreja do Senhor. O currículo de um membro o corpo de Cristo, deve ser medido pelo seu caráter cristão exibidos no dia a dia, na obediência, na pratica da doutrina dos apóstolos, na comunhão, no partir do pão e nas orações e não pelos seus títulos acadêmicos e posição econômica. 
            É por tudo isso, que a sabedoria do alto é “sem hipocrisia”. Um fingidor, comediante, quem representa um papel, um ato teatral. O hipócrita é a pessoa que se dedica a representar bondade de tal maneira que merece ser chamada de “bondade teatral”. É a pessoa que procura fazer com que todos vejam a esmola que dá (Mt 6:16). É o individuo cuja bondade não busca agradar a Deus, mas aos homens. É o individuo que não diz “A Deus seja a glória”, mas “A mim seja o crédito”. Não com palavras, mas com atitudes, com Vida! Fidelidade!
            Na sabedoria do Alto, divina, identificamos três características que são encontradas nas bem-aventuranças de Jesus: “Pura” <> “Bem-aventurados os puros de coração”. “Pacifica” <> “Bem-aventurados os pacificadores”. “Cheia de misericórdia” <> “Bem-aventurados os misericordiosos”.
            Ao estabelecer as características do cidadão do reino no Sermão do Monte, Jesus estabeleceu nove bem-aventuranças. Três delas se projetam na sabedoria divina, inspirada por Deus. Não apenas vemos a semelhança entre Tiago e o Sermão do Monte, mas uma vez mais se ratifica a unidade da Bíblia em seus conceitos.
            Um cidadão do reino de Jesus, que tem o caráter cristão, terá a sabedoria que vem do alto.
            O texto termina lembrando a sétima bem-aventurança: 18_ Ora, o fruto da justiça semeia-se em paz para aqueles que promovem a paz.
Não é para os que amam a paz, mas para os que a promovem. O que diz a bem-aventurança: “Bem-aventurados os pacificadores”, e não os pacifistas. Não basta querer ou amar a paz. É necessário promover a paz.
            O contraste entre as duas classes de sabedoria é muito bem assinalado. Uma é de cima e a outra é terrena. Uma está cheia de misericórdia e bons frutos, sem mudança, sem hipocrisia; a outra é dos sentidos, carnal e diabólica. Contrastam-se também os frutos. Uma produz a paz e outra produz contendas e invejas. Este contraste serve para que venhamos refletir como cristão, que autodenominamos!
            Qual é a sabedoria que está dominando a nossa vida? Qual é a sabedoria que rege na igreja?
            Coelho Filho, Isaltino Gomes – Tiago, nosso contemporâneo: um estudo contextualizado Epistola de Tiago. – 2ª ed. Rio Janeiro: Junta de Educ. Religiosa e Publicações, 1990.


  








Nenhum comentário:

Postar um comentário